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Equipamentos para treinar o bebê: precisa?

equipamentosDesde que o bebê nasce, orgulhamo-nos se ele já está durinho ou se anda antes do primeiro aniversário. Constantemente o comparamos (de forma consciente ou não) com outras crianças.

Esta ansiedade é explorada pela indústria, que lança uma quantidade cada vez maior de aparelhos e objetos para segurar os bebês que prometem entretenimento, segurança, além de ajudar as crianças a se desenvolverem com mais rapidez. E ainda facilitam a vida de quem cuida delas!
 Muito antes da cadeirinha semi-levantada para bebês ser obrigatória nos carros (onde ela é usada com muita propriedade), variadas versões dela já faziam parte da lista de enxoval dos sonhos de toda mãe. Outras cadeirinhas, como o bumbo, e almofadas de diversos formatos são indicadas para posicionar o bebê na vertical desde os 4 meses. O andador, felizmente, vem se tornando obsoleto e já está com a venda proibida, porém seu substituto, o “jumper”, esta se popularizando.

Não compreendemos que essa ânsia em ajudar acaba atrapalhando o bebê, limitando-o ou distraindo-o de seu principal trabalho, que é o de conhecer seu próprio corpo, aprender a controlar seus movimentos e usá-lo para satisfazer seus desejos.

Ao restringir o movimento do bebê em equipamentos que sustentam seu corpo, estamos afetando não só o desenvolvimento de uma musculatura saudável, mas também sua percepção do próprio corpo, a qual se forma a partir da movimentação voluntária que o bebê executa nos primeiros anos de vida. O corpo pode demorar mais para se tornar um instrumento que ele domina e que serve aos seus objetivos.

Quando o bebê tem a oportunidade, desde cedo, de deitar-se no chão livremente e seu tempo para explorar o corpo e descobrir os movimentos é respeitado, ele pode se desenvolver com mais iniciativa própria, com melhor equilíbrio e alegria. É entusiasmante testemunhar o prazer do bebê em cada movimento novo que aprende, a perseverança com a qual exercita o movimento aprendido e o cuidado com que experimenta novas posições.
 Essa persistência e repetição dos movimentos no chão, permitem que o bebê adquira suas primeiras habilidades de locomoção, as quais são o rolar, rastejar e engatinhar. Estas são etapas intermediárias do desenvolvimento psicomotor da criança, que possibilitam que ela mude de posição, e de lugar, antes mesmo de saber andar. Assim, os deslocamentos no chão ampliam a capacidade de exploração do ambiente e de raciocínio do bebê na fase em que seus neurônios estão mais ávidos por novos aprendizados. Entretanto, nem sempre essas habilidades são valorizadas por alguns pais e profissionais.

Portanto, confiar na capacidade do bebê e acompanhar com interesse cada etapa do seu desenvolvimento, ao invés de limitá-lo em parafernálias modernas e artificiais, parece ser um dos caminhos para formar crianças com iniciativa, perseverança e autoconfiança.

Leila Suzuki Saita Teixeira. Fisioterapeuta
Co-founder & CKO na UNA Primeira Infância
Co-founder & CEO na PAEDI

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