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A construção do brinquedo

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Brincar é essencial para o desenvolvimento da criança. As brincadeiras fazem parte de processos cognitivos e simbólicos. A criança recria o conhecido, reencontra o prazer vivido ou revive algum medo. Neste contexto, a escolha dos brinquedos que serão oferecidos para a criança é muito importante. É ele que convida a brincar e pode tornar a brincadeira mais rica e prazerosa.

Hoje em dia quando vamos comprar um brinquedo, encontramos fábulas tecnológicas que acendem luzes, tocam música, dançam… A criança fica fascinada com uma enxurrada de estímulos. Porém, como a criança brinca com isso? Como ela descobre algo explorando esses brinquedos que brincam sozinhos??? Ela brinca e aprende ou apenas se de distrai, tornando-se um espectador? Ela fica fixada ao objeto, mas será que realmente o compreende?

A criança deve jogar com o brinquedo e não o brinquedo jogar com a criança. Brinquedos prontos não permitem a criança criar ou recriar por si. Foi criado pela cabeça do fabricante. Só pode explorar o objeto de um jeito – o jeito “certo”: aperta o botão e abre a porta, a peça tem que encaixar aqui ou acolá, na mesma cor! Isso é muito pouco para uma criança com seus esquemas cognitivos em ebulição. São movimentos vazios, que acabam por oferecer muito pouco para os processos de criação. A criança não constrói, não transforma nada… 

Desta forma acabamos por criar usuários, que só sabem usar o que está pronto, seguindo uma regra pré-concebida e perpetuada pelo adulto, que rapidamente tem suas possibilidades esgotadas e precisa ser substituído. Logo se transformarão em consumidores. 

A criança, em especial na primeira infância, está descobrindo o mundo. Ela precisa de objetos e brinquedos que tragam significados, que a instigue a pensar, relacionar, criar hipóteses e testar. Ela tem necessidade não apenas de constatar a existência das coisas, mas também de compreender as relações e fenômenos do mundo. Por isso, a criança pega, bate, chacoalha, abre, fecha, joga, encaixa… Ela estuda minuciosamente cada detalhe que suas ações produzem. Cada nova descoberta, Eureca!!!! São feitos de materiais diferentes, existem tamanhos diversos, relações entre eles, seja de formato, cor, tamanho, material…

É nato da criança ter uma atitude de questionamento. Não basta lhe dizer que é um copo. Ela precisa comprovar com todos os sentidos e uma série de experimentos que é um copo… São com objetos e brinquedos mais simples que surge na criança a pulguinha do “E se…” E se eu colocar um dentro do outro? E se em colocar um sobre o outro? Isto porque eles permitem a criança ousar. Fazer além do que aquilo aparenta ser. Criar e recriar, sem manual de instrução.

Temos que ajudar a criar investigadores, inventores, criadores… Almejar por uma criança ativa, que inventa, que busca reações inéditas. E para isto temos que abrir espaço para ela. Espaço para pensar. Questionar. Descobrir. Criar uma linha de raciocínio. Aprender e reaprender. E assim nossas crianças vão construindo seu conhecimento de mundo, um conhecimento sólido do que vivenciou, criando as bases para o que vem para frente.

E nós, adultos, com certeza aprenderemos junto com elas!

 

Nadja Azevedo – Fisioterapeuta/Psicomotricista

Co-founder & COO na UNA Primeira Infância

Co-founder & CEO na PAEDI

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