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Não acabem com a caligrafia: escrever à mão desenvolve o cérebro

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As crianças que vivem no mundo dos teclados precisam aprender a antiquada caligrafia?

Há uma tendência a descartar a escrita à mão como uma habilidade que não é mais essencial, mesmo que os pesquisadores já tenham alertado para o fato de que aprender a escrever pode ser a chave para, bem, aprender a escrever.

E, além da conexão emocional que os adultos podem sentir com a maneira como aprendemos a escrever, existe um crescente número de pesquisas sobre o que o cérebro que se desenvolve normalmente aprende ao formar letras em uma página, sejam de forma ou cursivas.

Em um artigo publicado este ano no “The Journal of Learning Disabilities”, pesquisadores estudaram como a linguagem oral e escrita se relacionava com a atenção e com o que é chamado de habilidades de “função executiva” (como planejamento) em crianças do quarto ao nono ano, com e sem dificuldades de aprendizagem.

Virginia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, contou que a evidência dessa e de outras pesquisas sugere que “escrever à mão – formando letras – envolve a mente, e isso pode ajudar as crianças a prestar atenção à linguagem escrita”.

No ano passado, em um artigo no “Journal of Early Childhood Literacy”, Laura Dinehart, professora associada de Educação da Primeira Infância na Universidade Internacional da Flórida, discutiu várias possibilidades de associações entre boa caligrafia e desempenho acadêmico: crianças com boa escrita à mão são capazes de conseguir notas melhores porque seu trabalho é mais agradável para os professores lerem; as que têm dificuldades com a escrita podem achar que uma parte muito grande de sua atenção está sendo consumida pela produção de letras, e assim o conteúdo sofre.

Mas podemos realmente estimular o cérebro das crianças ao ajudá-las a formar letras com suas mãos ?

Em uma população de crianças pobres, diz Laura, as que possuíam boa coordenação motora fina antes mesmo do jardim da infância se deram melhor mais tarde na escola.

Ela diz que mais pesquisas são necessárias sobre a escrita nos anos pré-escolares e sobre as maneiras para ajudar crianças pequenas a desenvolver as habilidades que precisam para realizar “tarefas complexas” que exigem coordenação de processos cognitivos, motores e neuromusculares.

“Esse mito de que a caligrafia é apenas uma habilidade motora simplesmente está errado. Usamos as partes motoras do nosso cérebro, o planejamento motor, o controle motor, mas muito mais importante é a região do órgão onde o visual e a linguagem se unem, os giros fusiformes, onde os estímulos visuais realmente se tornam letras e palavras escritas.”
(Virginia Berninger)

As pessoas precisam ver as letras “nos olhos da mente” para produzi-las na página, explica ela. A imagem do cérebro mostra que a ativação dessa região é diferente em crianças que têm problemas com a caligrafia.

Escaneamentos cerebrais funcionais de adultos mostram que uma rede cerebral característica é ativada quando eles leem, incluindo áreas que se relacionam com processos motores. Os cientistas inferiram que o processo cognitivo de ler pode estar conectado com o processo motor de formar letras.

Larin James, professora de Ciências Psicológicas e do Cérebro na Universidade de Indiana, escaneou o cérebro de crianças que ainda não sabiam caligrafia. “Seus cérebros não distinguiam as letras; elas respondiam às letras da mesma forma que respondiam a um triângulo”, conta ela.

Depois que as crianças aprenderam a escrever à mão, os padrões de ativação do cérebro em resposta às letras mostraram mais ativação daquela rede de leitura, incluindo os giros fusiformes, junto com o giro inferior frontal e regiões parietais posteriores do cérebro, que os adultos usam para processar a linguagem escrita – mesmo que as crianças ainda estivessem em um estágio muito inicial na caligrafia.

“As letras que elas produzem são muito bagunçadas e variáveis, e isso na verdade é bom para o modo como as crianças aprendem as coisas. Esse parece ser um dos grandes benefícios da escrita à mão”, conta Larin James.

Especialistas em caligrafia vêm lutando com a questão de se a letra cursiva confere habilidades e benefícios especiais, além dos fornecidos pela letra de forma. Virginia cita um estudo de 2015 que sugere que, começando por volta da quarta série, as habilidades com a letra cursiva ofereciam vantagens tanto na ortografia quanto na composição, talvez porque as linhas que conectam as letras ajudem as crianças a formar palavras.

Para crianças pequenas com desenvolvimento típico, digitar as letras não parece gerar a mesma ativação do cérebro. À medida que as pessoas crescem, claro, a maioria faz a transição para a escrita em teclados. No entanto, como muitos que ensinam na universidade, eu me questiono a respeito do uso de laptops em sala de aula, mais porque me preocupo com o fato de a atenção dos alunos estar vagando do que com promover a caligrafia. Ainda assim, estudos sobre anotações feitas à mão sugerem que “alunos de faculdade que escrevem em teclados estão menos propensos a se lembrar e a saber do conteúdo do que se anotassem à mão”, conta Laura Dinehart.

Virginia diz que a pesquisa sugere que crianças precisam de um treinamento introdutório em letras de forma, depois, mais dois anos de aprendizado e prática de letra cursiva, começando na terceira série, e então a atenção sistemática para a digitação.

Usar um teclado, e especialmente aprender as posições das letras sem olhar para as teclas, diz ela, pode muito bem aproveitar as fibras que se intercomunicam no cérebro, já que, ao contrário da caligrafia, as crianças vão usar as duas mãos para digitar.

“O que estamos defendendo é ensinar as crianças a serem escritoras híbridas. Letra de forma primeiro para a leitura – isso se transfere para o melhor reconhecimento das letras –, depois cursiva para a ortografia e a composição. Então, no final da escola primária, digitação.”
(Virginia Berninger)

Como pediatra, acho que pode ser mais um caso em que deveríamos tomar cuidado para que a atração do mundo digital não leve embora experiências significativas que podem ter impacto real no desenvolvimento rápido do cérebro das crianças.

Dominar a caligrafia, mesmo com letras bagunçadas e tudo, é uma maneira de se apropriar da escrita de maneira profunda.

“Minha pesquisa global se concentra na maneira como o aprendizado e a interação com as palavras feitas com as próprias mãos têm um efeito realmente significativo em nossa cognição”, explica Larin James. “É sobre como a caligrafia muda o funcionamento do cérebro e pode alterar seu desenvolvimento.”

Plano de aula: a importância do bom planejamento para a aprendizagem

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Um elemento-chave do ensino eficaz reside no planejamento das atividades de ensino e de aprendizagem realizadas na escola, particularmente na sala de aula. Esse planejamento deve ser feito para cada dia de aula e é parte das responsabilidades profissionais do professor.

Sem ele, os objetivos de aprendizagem perdem o sentido. Por isso, um plano de aula deve conter, ainda que de maneira resumida, as decisões pedagógicas do professor a respeito do que ensinar, como ensinar e como avaliar o que ensinou.

Não se deve esperar que um plano de aula sirva, da mesma maneira, para professores diferentes. Ele é um instrumento individual de trabalho e deve ser desenvolvido para atingir os objetivos de cada turma, em separado.

Entretanto, seja o professor experiente ou iniciante, seu plano de aula deve conter uma estrutura básica, que é a mesma para todos os casos. O que pode variar é o nível de detalhe e a forma de registro, que alteram de acordo com a experiência e o estilo de cada professor.

Sua adequação depende de dois critérios: utilidade para o professor e eficácia para que os alunos aprendam. Se o professor não tem qualquer ideia a respeito do que pretende com uma aula, dificilmente saberá se atingiu seus objetivos.

Para que cumpra seu papel, o planejamento deve considerar três dimensões:

  • Primeira: o plano de aula tem como fundo a aula e a sala de aula. Essa aula é parte integrante de um curso, que, por sua vez, integra a proposta pedagógica da escola. Ou seja, a aula nunca é um evento isolado. Os objetivos de longo prazo previstos na proposta materializam-se a cada dia, em cada aula.
  • Segunda: a sala de aula é um lugar físico onde os conteúdos previstos serão ensinados à turma. Mas não significa estar entre quatro paredes. A aula também pode ocorrer em outros ambientes, internos e externos da escola. O planejamento do professor pode incluir, por exemplo, projetos a serem realizados em casa ou no horário extra aula.
  • Terceira: cada aula deve ser cuidadosamente planejada, ministrada, avaliada e revista para permitir o replanejamento da aula seguinte. Sem isso, o professor pode chegar ao final do semestre, ou do ano, sem ter cumprido o seu plano, e sem condições ou tempo de promover a recuperação dos alunos que não acompanharam o andamento do programa.

Não existe uma forma única ou ideal para elaborar um plano de aula. O formato do plano depende da escola, da disciplina, do professor, de sua experiência com a matéria e com os alunos. O que importa é sua utilidade para ajudar as decisões do professor e seu impacto na aprendizagem dos alunos. Ou é útil para estes, ou não tem qualquer utilidade.

Abaixo, detalhamos sete aspectos que o educador precisa considerar em seu planejamento para ser eficaz. Os tópicos foram retirados do livro Aprender e Ensinar, publicação do Instituto Alfa e Beto que traz s conceitos e ferramentas necessárias para planejar, ministrar e avaliar aulas com sucesso. Confira:

  1. Objetivos gerais e objetivos específicos
    Os objetivos da educação são sempre de longo prazo – o que o aluno aprende na escola deve servir sempre ou para aprender mais ou para aplicar em situações novas, no futuro próximo ou remoto. Cada aula é um passo para atingir os objetivos de longo prazo e o que ocorre em cada aula deve ser consistente com isso.
  2. Pré-requisitos
    Pré-requisito refere-se a algo aprendido anteriormente e que integra uma nova aprendizagem. Essa nova aprendizagem não pode ocorrer sem que o pré-requisito tenha sido apreendido e esteja disponível na memória ativa do aluno. Por exemplo, para compreender um conteúdo sobre a história do continente americano, o aluno deve ter como pré-requisitos os conceitos de Terra, conceitos de sociedade, o nove dos continentes, leituras de mapas etc.
  3. O que deverá ser revisto na aula
    Toda aprendizagem repousa em aprendizagens anteriores. Recordar assuntos, conceitos e operações já aprendidas facilita novas aprendizagens e permite aplicar o conhecido a novas situações. Cada plano de aula deve ser concluído com orientações sobre a aula seguinte, ressaltando para os alunos a relação com os objetivos gerais do curso.
  4. Considerações sobre motivação e aplicações práticas
    A motivação numa aula é algo muito concreto e tem duas implicações que também são muito concretas. Uma delas é a de energizar, mobilizar a atenção, o esforço e a energia do aluno. A outra é a de conectar o aluno com o tema e objetivo da aula. A mobilização, portanto, tem que ser permanente e duradoura – não pode se tratar de qualquer estímulo, apenas para chamar a atenção inicial dos alunos.
  5. Atividades a serem desenvolvidas
    As atividades não devem ser vistas como uma tarefa mecânica, mas sim como uma oportunidade de alcançar os objetivos previstos para a aula. Para cada atividade, o plano de aula deve identificar o formato, o conteúdo, as questões a serem respondidas pelo aluno, as formas de trabalho, o material e o tempo necessário.
  6. Materiais necessários
    A possibilidade de materiais é quase infinita – tudo o que existe no mundo, a rigor, pode tornar-se objeto de aprendizagem. No entanto, é preciso considerar alguns aspectos sobre esse ponto: os materiais devem estar disponíveis no momento da aula; devem ser compatíveis com as formas de apresentar o conteúdo; e as instruções de uso devem ser claras para que o tempo da atividade seja proveitoso.
  7. Como avaliar
    Ao final do plano de aula, o professor deve ter consciência de como, a partir de todos os tópicos citados acima, vai avaliar se os objetivos foram atingidos. A única forma de saber se o aluno aprendeu é oferecendo oportunidades para que ele demonstre o aprendizado, seja por meio de provas, trabalhos de campo, exposições ou outras formas de avaliação.

A educação que vem do berço

Pais estão cada vez mais conscientes e buscam um ensino infantil que estimule a autonomia.

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Sem gritos, sem pressas, sem obrigações, mas com orientação, carinho e dedicação. Assim são as escolas que os pais mais conscientes buscam para seus bebês. E cada vez são mais numerosos os que desejam outra forma de educar no período do 0 aos 3 anos, uma etapa não obrigatória, mas de grande importância para o desenvolvimento futuro. “Há famílias jovens que não aceitam qualquer coisa. Vão buscando algo que respeite o desenvolvimento natural das crianças. E, sobretudo, não querem o que elas mesmas tiveram em sua época”, comenta Pilar García Sanz, diretora da escola infantil Los 100 Lenguajes, uma escola privada em Madrid.

“As famílias agora têm os filhos de modo mais consciente e isso faz com que se interessem mais pela educação que querem para eles”, prossegue García Sanz. “E buscam alternativas de mais liberdade e autonomia, não no fazer, mas no pensar.” “As pessoas têm cada vez mais cultura e estão mais informadas. E dão muita importância a uma criança respeitosa”, opina Diana Pérez, diretora da escola infantil pública Patas Arriba, em Madri. As redes sociais e a Internet, com mães blogueiras, têm contribuído para difundir esse tipo de educação.

Evolução natural

Respeitar é a palavra chave. Respeitar os tempos das crianças, os processos de crescimento, sua evolução natural, seus interesses em cada momento. A educadora (as mulheres são maioria) é uma orientadora. Ela deixa de ser o centro da classe para acompanhar a criança em seu processo de aprendizagem.

“Oferecemos diferentes propostas para que a criança explore o que lhe agradar em cada momento”, explica Diana Pérez. Mas esse pequeno não é deixado a seu livre-arbítrio. “Não podemos dizer às crianças que podem fazer tudo, porque isso não é educação para a vida. Têm de ter limites”, afirma García Sanz.

A participação ativa das famílias é básica. “Uma escola que deixa a família entrar na sala de aula faz comunidade educativa”, diz Diana Pérez. “Uma escola não tem sentido sem a família”, resume Blanca Azanza, diretora de Los Juncos, na capital espanhola, e presidenta da Associação Madrilenha de Escolas Infantis de Gestão Indireta (Ameigi). Não se trata só de escolher a forma de educar o seu bebê, mas de se envolver nela com os professores e entender seus métodos. Há muita liberdade, mas nada é deixado ao acaso.

Enfrentando as dificuldades

“A equipe educacional é o motor da escola”, defende Blanca, da Ameigi. “O educador precisa estar bem formado, saber o que tem que fazer, porque educar em liberdade não é fácil. Não há formação oficial. Nós buscamos nossa própria formação”, complementa Pilar García Sanz, de Los 100 Lenguajes.

É graças ao envolvimento dos professores que são levados adiante projetos inovadores para a fase dos 0 aos 3 anos. São eles os que organizam seminários e oficinas. “Uma vez por mês realizamos um seminário com a colaboração da Ameigi, para todas as educadoras da Comunidade de Madri”, explica Pilar. Ela resume esta pedagogia em dois pontos fundamentais: movimento livre e uma relação afetiva extremamente cuidadosa com cada criança.

A Criança e a Motivação

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Quando se ensina alguma coisa, o que seja, ensina-se também a colher com sabedoria os resultados, sem, contudo, esquecer de alertar contra os eventuais contratempos. Os dois aspectos são partes integrantes do aprendizado, e não apenas a maneira de se fazer a coisa. Uma criança ainda requer de muita experimentação antes de ser capaz de compreender cada coisa, por isso, a expectativa de resultados insatisfatórios, ou parciais, assim como a perspectiva de resultados positivos em qualquer empreendimento, deve sempre fazer parte de sua instrução preliminar.

Não existe ilustração melhor do que ensinar a fazer. Não existe ensinamento mais profícuo do que aprender fazendo. Assim, mostrar como fazer vale mais que dizer que pode ser feito. Ainda assim, tudo começa com a demonstração de que aquilo pode ser realizado, desde que se possua a devida habilidade ou instrução.

Uma obra sem utilidade, para uma criança, vale tanto quando uma pedra preciosa para uma galinha. Sua motivação é diretamente proporcional à utilidade da coisa produzida, seja para si mesma, seja para outros. Do mesmo modo, enganá-la com falsas propostas ou promessas, equivale e comprometer sua autoestima. Ocorre que ela não reage às frustrações como um adulto, mas antes disso, tende a se sentir rejeitada, inferiorizada, sem importância, já que tende a enxergar a si mesma no resultado do seu trabalho.

Assim, seu trabalho representa sua pessoa, e a forma como esse trabalho será recebido, rejeitado, criticado, utilizado, apreciado e aceito, será também o modo como se sentirá como individuo. Ao sentir a inutilidade do seu trabalho, assim também se sentirá como pessoa; e a mesma regra vale para a aceitação, ou crítica construtiva.

Uma crítica construtiva, longe de ser um elogio, ou uma espécie de recompensa, tem mais valor se bem compreendida como função motivadora. Comentar de forma clara sobre o trabalho, como, por exemplo, discutir um texto escrito de modo que ela perceba que o mesmo foi lido e analisado, torna-se uma excelente forma de motivação, e abre espaço para a crítica construtiva. Desse modo, ela tenderá a aceitar as ressalvas, correções, como uma forma clara de orientação e nunca de rejeição.

Conhecer uma criança, não apenas seu nome, ou o nome dos seus pais, mas, daquilo que gosta ou não gosta, abre um espaço gigantesco para que o educador tenha acesso à mesma. Ela o permitirá, pois saberá que ele a conhece, e por isso mesmo, deve saber o que lhe parece mais adequado. Também, o educador sensato, o deve demonstrar publicamente, que conhece cada uma delas. Isso se consegue com comentários discretos, enfatizando ou ilustrando as preferências de cada uma. Mentalmente ela dirá: “Nossa, ele ainda lembra de mim…”

“Não existe incentivo maior e argumento mais motivador para uma criança que ouvir o educador chamar pelo ser nome, dentro ou fora da sala de aula, de forma espontânea.”

Cuidado deve ter, entretanto, para nunca, sob nenhuma circunstância ou justificativa, criar ambientes competitivos entre elas. Seja por preferir uma ou outra, seja por elogiar o pior ou melhor desempenho de quem quer que seja. Motivar uma criança não deve ter como terreno a desmotivação do restante do grupo, e é exatamente isso que ocorre quando preferimos ou destacamos alguém, ou seu trabalho, de forma seletiva ou ostensiva.

O educador consciente sabe como fazer para nivelá-las, sem com isso avultar de forma provocativa uma ou outra; sem fazê-las sentirem-se inferiores ou superiores aos seus amigos. Tal gesto poderia incentivar a competição interna, a disputa por preferências, a falta de entendimento e sintonia do grupo. Aquela que sabe mais, ou que demonstra maior interesse, deve ser tratada com a devida atenção, mas sem demonstração explícita de que há preferências, ou que as demais são inferiores ou preteridas.

Incentiva-se uma criança claramente destacada no meio do grupo, de forma discreta e com inteligência. Se ela é curiosa, deve ser incentivada de forma indireta a desenvolver ainda mais sua curiosidade. Nesse caso, a mensagem deverá ser dada para todo o grupo, e aqueles indivíduos mais interessados, entenderão que se trata de uma orientação direcionada a eles. Uma criança interessada pegará emprestado o livro que o professor trouxe para mostrar ao grupo, mas tendo ela como foco.

Recompensas, elogios fáceis, promessas de sucesso, práticas comuns usadas para motivar ou incentivar as crianças a realizarem suas tarefas, deveres, ou mesmo cuidados pessoais, deverão ser evitadas a todo custo. O educador irá substituir tudo isso pelo simples reconhecimento de um trabalho bem feito, ou interesse sincero pelo andamento de uma tarefa ainda pendente. Deve estar disposto a ouvir as explicações das mesmas, de como realizaram aquele trabalho, e mesmo, contribuir pessoalmente com sugestões personalizadas.

Outra forma de elogiar, de dar novo ânimo ao grupo, de modo a não haver comparações ou despertar ciúmes, é ensiná-las a trabalhar em equipe, deixando claro que, para uma tarefa dessa natureza, onde cada uma tem uma função, todas são igualmente necessárias e importantes. Deve ainda enfatizar ao grupo, que o tamanho de uma atividade, não quer dizer menos ou mais, mas que todas são igualmente importantes. Use pequenos contos como analogias para ilustrar o caso. Utilize as fábulas, estas são excepcionais exemplos; elas gostam de ouvir, e ainda aprenderão alguma coisa útil.

Na formatação de uma equipe, o educador deve conhecer as capacidades e personalidades de cada aluno, cuidando de não incluir num mesmo grupo crianças de temperamentos contrários. Conhecendo as disposições psicológicas e habilidades individuais, poderá agrupá-las em equipes que se complementem.

Finalmente, não se motiva uma criança comparando seu resultado com o do seu colega, ou de um estranho. Mais eficaz e sensato é dar-lhe desafios sempre crescentes e acompanhar de perto seu progresso ou dificuldades. E ao perceber o interesse do educador pelo seu trabalho, ela se sentirá motivada e responsável, pois, como foi dito antes, para ela, o seu trabalho e a sua pessoa é uma só coisa.

Equipamentos para treinar o bebê: precisa?

equipamentosDesde que o bebê nasce, orgulhamo-nos se ele já está durinho ou se anda antes do primeiro aniversário. Constantemente o comparamos (de forma consciente ou não) com outras crianças.

Esta ansiedade é explorada pela indústria, que lança uma quantidade cada vez maior de aparelhos e objetos para segurar os bebês que prometem entretenimento, segurança, além de ajudar as crianças a se desenvolverem com mais rapidez. E ainda facilitam a vida de quem cuida delas!
 Muito antes da cadeirinha semi-levantada para bebês ser obrigatória nos carros (onde ela é usada com muita propriedade), variadas versões dela já faziam parte da lista de enxoval dos sonhos de toda mãe. Outras cadeirinhas, como o bumbo, e almofadas de diversos formatos são indicadas para posicionar o bebê na vertical desde os 4 meses. O andador, felizmente, vem se tornando obsoleto e já está com a venda proibida, porém seu substituto, o “jumper”, esta se popularizando.

Não compreendemos que essa ânsia em ajudar acaba atrapalhando o bebê, limitando-o ou distraindo-o de seu principal trabalho, que é o de conhecer seu próprio corpo, aprender a controlar seus movimentos e usá-lo para satisfazer seus desejos.

Ao restringir o movimento do bebê em equipamentos que sustentam seu corpo, estamos afetando não só o desenvolvimento de uma musculatura saudável, mas também sua percepção do próprio corpo, a qual se forma a partir da movimentação voluntária que o bebê executa nos primeiros anos de vida. O corpo pode demorar mais para se tornar um instrumento que ele domina e que serve aos seus objetivos.

Quando o bebê tem a oportunidade, desde cedo, de deitar-se no chão livremente e seu tempo para explorar o corpo e descobrir os movimentos é respeitado, ele pode se desenvolver com mais iniciativa própria, com melhor equilíbrio e alegria. É entusiasmante testemunhar o prazer do bebê em cada movimento novo que aprende, a perseverança com a qual exercita o movimento aprendido e o cuidado com que experimenta novas posições.
 Essa persistência e repetição dos movimentos no chão, permitem que o bebê adquira suas primeiras habilidades de locomoção, as quais são o rolar, rastejar e engatinhar. Estas são etapas intermediárias do desenvolvimento psicomotor da criança, que possibilitam que ela mude de posição, e de lugar, antes mesmo de saber andar. Assim, os deslocamentos no chão ampliam a capacidade de exploração do ambiente e de raciocínio do bebê na fase em que seus neurônios estão mais ávidos por novos aprendizados. Entretanto, nem sempre essas habilidades são valorizadas por alguns pais e profissionais.

Portanto, confiar na capacidade do bebê e acompanhar com interesse cada etapa do seu desenvolvimento, ao invés de limitá-lo em parafernálias modernas e artificiais, parece ser um dos caminhos para formar crianças com iniciativa, perseverança e autoconfiança.

Leila Suzuki Saita Teixeira. Fisioterapeuta
Co-founder & CKO na UNA Primeira Infância
Co-founder & CEO na PAEDI

Como as crianças começam a desenvolver o raciocínio matemático? E como incentivar?

“Muitas vezes tendemos a pensar que certos conhecimentos complexos, como os matemáticos, são desenvolvidos pelas crianças apenas a partir de atividades escolares direcionadas. Entretanto, antes mesmo de entrar na escola, os pequenos já começam a elaborar certas compreensões a partir do que observam, vivenciam e experimentam”. Por Toda criança pode aprender

http://www.todacriancapodeaprender.org.br/como-as-criancas-comecam-a-desenvolver-o-raciocinio-matematico/

A construção do brinquedo

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Brincar é essencial para o desenvolvimento da criança. As brincadeiras fazem parte de processos cognitivos e simbólicos. A criança recria o conhecido, reencontra o prazer vivido ou revive algum medo. Neste contexto, a escolha dos brinquedos que serão oferecidos para a criança é muito importante. É ele que convida a brincar e pode tornar a brincadeira mais rica e prazerosa.

Hoje em dia quando vamos comprar um brinquedo, encontramos fábulas tecnológicas que acendem luzes, tocam música, dançam… A criança fica fascinada com uma enxurrada de estímulos. Porém, como a criança brinca com isso? Como ela descobre algo explorando esses brinquedos que brincam sozinhos??? Ela brinca e aprende ou apenas se de distrai, tornando-se um espectador? Ela fica fixada ao objeto, mas será que realmente o compreende?

A criança deve jogar com o brinquedo e não o brinquedo jogar com a criança. Brinquedos prontos não permitem a criança criar ou recriar por si. Foi criado pela cabeça do fabricante. Só pode explorar o objeto de um jeito – o jeito “certo”: aperta o botão e abre a porta, a peça tem que encaixar aqui ou acolá, na mesma cor! Isso é muito pouco para uma criança com seus esquemas cognitivos em ebulição. São movimentos vazios, que acabam por oferecer muito pouco para os processos de criação. A criança não constrói, não transforma nada… 

Desta forma acabamos por criar usuários, que só sabem usar o que está pronto, seguindo uma regra pré-concebida e perpetuada pelo adulto, que rapidamente tem suas possibilidades esgotadas e precisa ser substituído. Logo se transformarão em consumidores. 

A criança, em especial na primeira infância, está descobrindo o mundo. Ela precisa de objetos e brinquedos que tragam significados, que a instigue a pensar, relacionar, criar hipóteses e testar. Ela tem necessidade não apenas de constatar a existência das coisas, mas também de compreender as relações e fenômenos do mundo. Por isso, a criança pega, bate, chacoalha, abre, fecha, joga, encaixa… Ela estuda minuciosamente cada detalhe que suas ações produzem. Cada nova descoberta, Eureca!!!! São feitos de materiais diferentes, existem tamanhos diversos, relações entre eles, seja de formato, cor, tamanho, material…

É nato da criança ter uma atitude de questionamento. Não basta lhe dizer que é um copo. Ela precisa comprovar com todos os sentidos e uma série de experimentos que é um copo… São com objetos e brinquedos mais simples que surge na criança a pulguinha do “E se…” E se eu colocar um dentro do outro? E se em colocar um sobre o outro? Isto porque eles permitem a criança ousar. Fazer além do que aquilo aparenta ser. Criar e recriar, sem manual de instrução.

Temos que ajudar a criar investigadores, inventores, criadores… Almejar por uma criança ativa, que inventa, que busca reações inéditas. E para isto temos que abrir espaço para ela. Espaço para pensar. Questionar. Descobrir. Criar uma linha de raciocínio. Aprender e reaprender. E assim nossas crianças vão construindo seu conhecimento de mundo, um conhecimento sólido do que vivenciou, criando as bases para o que vem para frente.

E nós, adultos, com certeza aprenderemos junto com elas!

 

Nadja Azevedo – Fisioterapeuta/Psicomotricista

Co-founder & COO na UNA Primeira Infância

Co-founder & CEO na PAEDI

SEBRAE Speed Mentoring/ Educação – A UNA também esta participando desta!

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Começa hoje o Programa Speed Mentoring – Educação do Sebrae com palestra de Alexandre Schneider sobre tendências do mercado de Educação.

O programa acontece durante todo mês de Outubro às terças e quintas das 16:00 às 21:00.

http://www.escolasebraesp.com/agenda/agenda

Para promover a disseminação da cultura empreendedora, o Sebrae-SP criou a primeira escola gratuita de empreendedorismo do Brasil, a Escola de Negócios Sebrae-SP. A iniciativa inédita irá formar e capacitar gratuitamente futuros e atuais empreendedores por meio do ensino técnico e tecnológico, nas áreas de Administração, Gestão, Logística e Marketing.

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